A menopausa muda tudo — inclusive o prazer
- Cris Nobile
- 11 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A menopausa muda o corpo, o desejo e o tempo da resposta sexual — mas não precisa apagar o prazer. Entenda o que realmente acontece e como a fisioterapia pélvica ajuda a redescobrir o corpo com segurança e presença.
Quando o corpo começa a mudar
Não é o fim, é uma transição. A menopausa marca o encerramento do ciclo reprodutivo, mas também o início de um novo ritmo corporal — mais calmo, mais sensível, mais exigente de cuidado. A queda dos níveis de estrogênio, hormônio essencial para a saúde dos tecidos genitais, altera a lubrificação, a elasticidade da mucosa vaginal e o fluxo sanguíneo da região pélvica. Essas mudanças afetam a forma como o corpo responde à excitação e ao toque, tornando o prazer um processo mais lento — porém, ainda possível e, muitas vezes, mais consciente.Segundo uma pesquisa publicada no Journal of Women’s Health (2022), cerca de 58% das mulheres na menopausa relatam desconforto durante a relação sexual, mas mais da metade dessas dores podem ser revertidas com intervenção fisioterapêutica e acompanhamento adequado.
O prazer não desaparece — ele muda de lugar
A ideia de que a menopausa “acaba com o desejo” é um dos mitos mais persistentes sobre o corpo feminino. O que realmente muda não é o desejo, mas a forma como ele se manifesta. O cérebro precisa de mais estímulo, o corpo precisa de mais tempo — e ambos precisam de segurança para responder.O prazer deixa de ser algo que “acontece” e passa a ser algo que se cultiva. A excitação não surge instantaneamente; ela é construída a partir da percepção corporal, da calma e do contato genuíno. Quando há tempo e presença, o corpo volta a responder.
O que a fisioterapia pélvica tem a ver com isso
A fisioterapia pélvica é uma das principais ferramentas para restaurar a saúde íntima durante e após a menopausa. Ela atua no fortalecimento, na vascularização e na mobilidade da musculatura que sustenta a bexiga, o útero e o canal vaginal — áreas diretamente afetadas pela queda hormonal.Diferente de procedimentos como o laser vaginal, que atuam apenas nos tecidos superficiais, a fisioterapia age na base funcional do prazer: o músculo. Um assoalho pélvico saudável é essencial não apenas para a penetração, mas também para a sensibilidade e a resposta sexual.Estudos recentes do International Urogynecology Journal (2023) reforçam que programas de reabilitação pélvica personalizados aumentam a lubrificação natural, melhoram a irrigação sanguínea e reduzem significativamente a dor na relação sexual em mulheres na pós-menopausa.
Menopausa é sobre tempo — e o prazer também
O corpo feminino na menopausa não está falhando; ele está pedindo outra linguagem. A pressa, que sempre foi inimiga do prazer, se torna ainda mais incompatível com esse novo corpo. É por isso que desacelerar é, paradoxalmente, o caminho mais rápido para voltar a sentir.O toque precisa de pausa. O prazer precisa de tempo. E a fisioterapia pélvica, aliada ao autoconhecimento e à paciência com o próprio corpo, se torna o elo entre o que se sente e o que ainda pode florescer.
Conclusão
A menopausa muda tudo — inclusive o prazer. Mas o que ela traz não é o fim da libido, e sim uma nova forma de presença: menos performance, mais profundidade. Quando o corpo aprende a confiar novamente, o prazer deixa de ser uma lembrança e volta a ser experiência.








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