Dor na relação sexual: o que o seu corpo está tentando te dizer
- Cris Nobile
- há 3 dias
- 2 min de leitura

A dor durante o sexo não é normal — é o corpo pedindo cuidado. Entenda por que ela acontece, o que ela revela e como é possível reaprender o prazer com segurança.
A nova conversa sobre dor e prazer
Durante muito tempo, mulheres que sentiam dor na relação foram ensinadas a suportar em silêncio. Entre diagnósticos apressados e frases como “é psicológico”, o que se perdeu foi o óbvio: o corpo feminino fala. E quando ele fala com dor, o que ele está dizendo é “algo em mim precisa de atenção”.A dor na penetração não é falta de vontade, nem frescura. É uma resposta fisiológica real — e, quase sempre, um mecanismo de defesa. O corpo aperta, tensiona e se fecha para tentar se proteger de algo que, em algum momento, foi interpretado como ameaça: dor física, medo, vergonha ou lembranças de experiências invasivas.
O que acontece no corpo quando a penetração dói
Quando há dor, os músculos do assoalho pélvico (que envolvem a vagina e sustentam os órgãos pélvicos) podem entrar em contração involuntária. Essa reação é o que chamamos de espasmo protetor — um reflexo natural do corpo diante do medo ou da dor antecipada.Mas esse espasmo repetido cria um ciclo: quanto mais o corpo teme a dor, mais ele se contrai; quanto mais se contrai, mais dói. É assim que muitas mulheres acabam evitando a penetração, e até perdendo a conexão com o próprio prazer.
O silêncio que ainda existe — e o que muda quando falamos sobre isso
Apesar de o tema estar cada vez mais presente, a maioria das mulheres ainda demora anos para buscar ajuda. Muitas tentam resolver sozinhas com lubrificantes, pomadas ou terapias genéricas, e se frustram quando nada muda. Outras ouvem que “é coisa da cabeça”, e acabam acreditando que há algo errado nelas.Mas o que a ciência mostra hoje é o contrário: a dor é real e tem tratamento. E quanto antes a mulher procurar ajuda especializada, mais rápido o corpo volta a responder com naturalidade.
O papel da fisioterapia pélvica
A fisioterapia pélvica é a base do tratamento da dor na relação sexual — não apenas porque atua na musculatura, mas porque reeduca o corpo a se sentir seguro novamente. Com técnicas de dessensibilização, mobilidade e propriocepção, a mulher aprende a identificar tensões, reconhecer gatilhos e retomar o controle sobre a própria resposta sexual.Não se trata apenas de eliminar a dor, mas de reconstruir a relação com o corpo — de reaprender o toque, o prazer e o tempo de cada sensação.
Por onde começar
O primeiro passo é buscar uma avaliação com uma fisioterapeuta pélvica especializada. Durante a consulta, é possível identificar se a dor vem de um vaginismo, de uma dispareunia (dor profunda ou de entrada), ou de outras causas físicas e emocionais associadas.Tratar a dor é possível. E, mais do que isso — é transformador. Porque o corpo, quando se sente seguro, sempre aprende novos caminhos para o prazer.








Comentários