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A vida íntima depois do câncer: o que ninguém te conta

O silêncio depois da cura

Quando o tratamento termina, muita gente espera ouvir “está tudo bem”. Mas o corpo, às vezes, ainda não entende essa notícia. Entre as cicatrizes visíveis e as que não aparecem nos exames, há uma parte da recuperação que costuma ser deixada de lado: a vida íntima.A quimioterapia, a radioterapia, a braquiterapia e as cirurgias pélvicas podem alterar profundamente a forma como o corpo sente, reage e se relaciona. E o que deveria ser sinônimo de recomeço, muitas vezes, se torna um novo desafio — o medo da dor, a perda da sensibilidade e a desconexão com o próprio prazer.

O impacto dos tratamentos no corpo feminino

Durante a quimioterapia, há uma queda acentuada nos hormônios sexuais, o que pode causar ressecamento vaginal, diminuição da libido e atrofia dos tecidos. A radioterapia pélvica e a braquiterapia — que utiliza sementes radioativas aplicadas internamente — podem levar à formação de aderências e à estenose vaginal, um estreitamento do canal que dificulta a penetração e pode causar dor intensa.Se o reto ou a bexiga são afetados, sintomas como incontinência urinária ou fecal também podem aparecer, interferindo diretamente na autoconfiança e na vida sexual.Essas alterações não são apenas físicas. Elas envolvem também uma perda temporária de referência com o próprio corpo.De acordo com o Journal of Cancer Survivorship (2023), mais de 70% das mulheres tratadas por câncer ginecológico relatam algum grau de dor ou desconforto na relação sexual após o tratamento — e a maioria não recebe orientação sobre fisioterapia pélvica.

A fisioterapia como parte da reabilitação oncológica

A fisioterapia pélvica tem um papel essencial nesse processo de reconstrução. Ela atua na recuperação da mobilidade dos tecidos, na melhora da lubrificação e na reeducação da musculatura que foi tensionada ou afetada pelo tratamento. O objetivo não é apenas devolver função, mas reestabelecer confiança — ensinar o corpo que ele pode voltar a sentir prazer com segurança.Com técnicas de massagem perineal, dessensibilização, mobilização tecidual e exercícios guiados, o corpo reaprende o que a dor fez esquecer: que prazer e cuidado podem coexistir.

Reaprender a sentir

A vida íntima depois do câncer não é um retorno ao que era antes — é um novo começo. É a descoberta de um corpo que passou por muito, mas que ainda tem potência, desejo e sensibilidade. A fisioterapia pélvica devolve movimento, circulação e percepção. Mas, mais do que isso, devolve presença.Porque, no fim, reabilitar é também reconciliar-se com o corpo. E o prazer — mesmo depois do câncer — continua sendo um sinal de vida.

💡 Referência científica:

Kirchhoff, A.C. et al. Journal of Cancer Survivorship, 2023. “Sexual function and pelvic rehabilitation in women after cancer treatment: a review of outcomes and approaches.”

 
 
 

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