Nem sempre é psicológico: o que ninguém te contou sobre o vaginismo
- Cris Nobile
- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O vaginismo é uma disfunção física real, não apenas emocional. Entenda o que acontece no corpo, por que a dor e o bloqueio acontecem, e como o tratamento certo pode devolver segurança e prazer.
O que é o vaginismo — segundo a ciência
O vaginismo é uma disfunção em que a mulher contrai involuntariamente a musculatura do assoalho pélvico diante da tentativa de penetração vaginal. Essa contração é reflexa — o corpo reage como se estivesse sob ameaça.De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o vaginismo passou a integrar o grupo ‘Transtorno da Dor Genitopélvica/Penetração’, onde se inclui também a dispareunia. A diferença é que, no vaginismo, a penetração geralmente não acontece, enquanto na dispareunia, ela ocorre com dor.
Por que o corpo reage assim
Embora fatores emocionais — como medo, experiências negativas ou ansiedade — possam estar presentes, o vaginismo é, acima de tudo, uma resposta física real. A musculatura da pelve se torna hipervigilante e entra em espasmo involuntário diante da simples ideia de penetração.Estudos publicados no Journal of Sexual Medicine (2023) apontam que mulheres com vaginismo apresentam maior atividade muscular basal na região pélvica, mesmo em repouso. Ou seja, o corpo ‘se arma’ antes mesmo do toque.
Os diferentes graus de vaginismo
O vaginismo pode variar em intensidade:• Leve: a mulher não consegue penetração completa, ou apenas parcial, e sente desconforto logo no início.• Moderado: além da penetração ser impossível, há sensibilidade aumentada na entrada vaginal e resistência ao toque.• Grave: a tentativa de penetração provoca pânico, choro ou sensação de invasão; a mulher tenta afastar o parceiro.• Gravíssimo: o simples pensamento de contato íntimo já desencadeia dor, contração muscular e até dificuldade de higiene íntima.Em todos os graus, o corpo não está ‘rejeitando o prazer’ — está tentando se proteger.
Por que não é apenas emocional
A origem do vaginismo é multifatorial. Experiências traumáticas, educação repressora e medo de sentir dor podem coexistir com alterações musculares, tensão miofascial, hipersensibilidade e disfunções posturais.Por isso, tratar apenas o aspecto psicológico raramente resolve. É essencial que o tratamento envolva o corpo.
O papel da fisioterapia pélvica
A fisioterapia pélvica especializada atua na reabilitação da musculatura e na dessensibilização dos reflexos de defesa. Com técnicas de respiração, relaxamento, propriocepção e reeducação muscular, a mulher aprende a identificar suas reações, compreender o corpo e criar novas respostas seguras.Quando o corpo se sente seguro, o medo perde força — e o prazer se torna possível novamente.
Conclusão
O vaginismo não é ‘coisa da cabeça’. É um distúrbio físico com componentes emocionais, que precisa ser tratado de forma integrada e respeitosa. Ignorar o corpo ou culpá-lo só prolonga o sofrimento. Quando há escuta, técnica e tempo, o corpo aprende que o toque pode ser confiança — e não ameaça.








Comentários