Por que é tão difícil falar sobre prazer feminino?
- Cris Nobile
- 20 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Um silêncio que atravessa gerações
Durante muito tempo, o prazer feminino foi tratado como um mistério — e, muitas vezes, como um problema. O corpo da mulher foi regulado, controlado e diagnosticado. A medicina estudou a dor, mas raramente se interessou pelo prazer. Essa ausência de linguagem deixou marcas profundas: muitas mulheres cresceram sem saber nomear o que sentem, onde sentem e o que é possível sentir.Em 2022, um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine revelou que quase 70% das mulheres entre 25 e 55 anos não sabem identificar anatomicamente o clitóris. Essa falta de conhecimento não é ignorância — é herança cultural.
Tabu, vergonha e desconexão
Falar sobre prazer ainda desperta desconforto. Em casa, o assunto é evitado; nas consultas, é apressado; nas conversas, é disfarçado de piada. O resultado é um ciclo silencioso de dor e culpa — mulheres que sentem desconforto, mas não se sentem à vontade para pedir ajuda.A fisioterapia pélvica rompe esse ciclo. Ela devolve à mulher a possibilidade de conversar sobre o corpo sem vergonha. A sessão vira espaço de escuta, de toque consciente, de ressignificação. Porque falar de prazer não é falar de sexo — é falar de saúde, de presença e de liberdade.
O corpo que volta a ser casa
Quando uma mulher entende como seu corpo funciona, o prazer deixa de ser um território proibido e passa a ser uma forma de conexão. A fisioterapia pélvica não fala apenas de músculos, mas de percepção, segurança e pertencimento. Ela é, em si, uma forma de educação sexual — e talvez a mais concreta delas, porque devolve ao corpo o que o silêncio tirou: o direito de sentir.O prazer não é um tema íntimo demais para ser discutido. É um tema humano demais para continuar sendo ignorado.
💡 Referência científica:
Rullo, J. E. et al. Journal of Sexual Medicine, 2022. “Knowledge gaps in female sexual anatomy: implications for sexual health education.”








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